Homeostase e Feedback

Para que o organismo humano consiga manter sua organização é necessário que mecanismos fisiológicos diversos aconteçam de forma ordenada e em pleno equilíbrio. A unidade básica de todo ser vivo é a célula que ao se unir de forma correta e equilibrada gera os tecidos que por sua vez formam os mais variados órgãos que ao se juntarem formam os sistemas que em conjunto vão dar origem ao organismo humano. O esquema abaixo mostra claramente essa ordenação que se iniciou com um átomo e chegou à plenitude de nosso corpo.



Esse equilíbrio interno que o nosso corpo mantém, impedindo que aconteçam os desequilíbrios e consequentemente a manifestação de patologias é chamado de homeostase, definida corretamente por Claude Bernard como a tendência que nosso corpo apresenta de manter um ambiente interno em equilíbrio, independente das oscilações que possam acontecer externa ou internamente. Vamos demonstrar isso através do seguinte esquema:




Observem que a temperatura média do corpo fica em torno de 37 °C, mas ela não é sempre a mesma. Ela pode se elevar e pode também baixar, mas existem mecanismos que a traz para a meta que é de 37°C. Quando a temperatura sobe acontece o aumento da perda de calor através do suor (sudorese) e quando ela baixa um pouco acontecem os tremores ou calafrios que são mecanismos involuntários de gerar calor e trazer a temperatura para o objetivo central que seriam os 37°C. Podemos mostrar isso graficamente também através do seguinte esquema:




Nesse primeiro esquema observamos que a temperatura se elevou, uma mensagem foi enviada para um centro integrador através de um sensor que devolveu a resposta através de um efetuador, fazendo com que a temperatura caísse ao longo do tempo. Vamos agora a outro esquema:




O princípio aqui é o mesmo do anterior, mas o objetivo é o oposto do outro. Nesse caso, a temperatura havia caído e o sensor que mandou a mensagem para o centro integrador, fez com que o efetuador respondesse e elevasse a temperatura para o centro da meta que seria os 37°C. Guardem a seguinte informação: em ambos os casos, tivemos controles através de retroalimentação negativa ou feedback negativo que iremos já, já falar sobre esse conceito.

Até agora tratamos do conceito de homeostase que é o equilíbrio dinâmico que Claude Bernard trabalhou de forma clara. Não existem parâmetros estáticos, mas dinâmicos. Ao longo de um dia ou de um determinado tempo temos variações, mas o equilíbrio será buscado. Isso acontece não só para o controle da temperatura, mas para a manutenção da pressão arterial sistêmica, do nível de água do corpo, da quantidade de glicose no sangue (glicemia) ou do nível hormonal na corrente sanguínea. Para que isso se mantenha em perfeito equilíbrio temos os famosos sistemas de controle que podem ser agrupados em dois grandes tipos:
a) Controle de Alça Aberta: controla os fenômenos da natureza e não interessa para os organismos vivos. Um exemplo claro é do aumento da pressão atmosférica em áreas abaixo da superfície da terra ou a sua diminuição à medida que subimos em altas altitudes. Não dá para modificarmos. Outro exemplo fácil de entendermos é o da intensidade de calor do sol próximo a linha do Equador. Quanto mais nos distanciamos dessa linha, menor é a incidência dos raios solares. Isso é tão claro que os pólos da terra acumulam gelo devido a essa característica e isso realmente não dá para sofre adaptação ou mecanismo de controle.
b) Controle de Alça Fechada ou Feedback: Esse nos interessa. Esse mecanismo controla os parâmetros fisiológicos dos seres vivos. Foi o que aconteceu com a manutenção da temperatura do corpo mostrado anteriormente. Dividimos o feedback em dois caminhos: positivo e negativo que iremos falar agora para vocês.




O esquema acima mostra o que chamamos de Feedback positivo. Esse mecanismo acontece pelo fato de potencializar o estímulo inicial, ou seja, ele é a favor do estímulo. O parto é o maior exemplo que podemos dar de feedback positivo. Observem que as contrações uterinas potencializam a distensão do útero que se torna mais intensa com o passar do tempo, culminando com o nascimento, ou seja, o resultado da ação vai a favor do estímulo inicial. Outro exemplo bem característico do feedback positivo é a amamentação. A sucção do bebê na glândula mamária faz com o corpo libere um hormônio chamado de ocitocina que induz a liberação do leite pelas mamas. O estímulo foi favorável a resposta e não contrária a ela. Lembrem que as contrações uterinas foram induzidas pela presença do bebê no canal do parto e aconteceu também a liberação da ocitocina para que esse mecanismo fosse possível de acontecer. Outra característica do feedback positivo é o fato dele funcionar como um gatilho disparador que cessa logo após o evento acontecer. A sucção do bebê (gatilho) faz com que o corpo libere ocitocina para liberar o leite e após o estímulo o hormônio não é mais liberado.

Vamos agora mostrar um esquema que descreve o feedback negativo que representa a maior parte dos mecanismos de controle do nosso corpo. Observem o esquema abaixo:




Esse esquema descreva o controle da pressão arterial. Observem que algo contrário (negativo) tinha que acontecer a condição de aumento da pressão arterial, ou seja, a pressão subiu, mas ela precisava retornar a normalidade e como isso acontece? Através do feedback negativo. Observem que o aumento da pressão arterial foi captado por receptores neurais nas artérias. Esse estímulo fez com que o coração diminuísse o bombeamento e com isso aconteceu à diminuição da pressão arterial. A grande maioria dos controles que acontecem no corpo é do tipo feedback negativo. Outros exemplos bem característicos são a liberação de grande parte dos hormônios do nosso corpo, o controle do nível hídrico do corpo ou a regulação da temperatura que discutimos anteriormente.


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