Sistema nervoso autônomo

O sistema nervoso autônomo é a divisão do sistema nervoso eferente de controle involuntário do nosso corpo, ou seja, nós não controlamos de forma consciente o seu funcionamento. O sistema nervoso autônomo (SNA) controla a musculatura lisa, o músculo cardíaco e o funcionamento das glândulas do nosso corpo, quer sejam elas endócrinas, exócrinas ou mistas. Podemos demonstrar esquematicamente a organização autônoma através da seguinte figura:



A figura 9.1 mostra que parte (sai) do sistema nervoso central (SNC) uma fibra nervosa para irrigação do tecido alvo ou célula alvo. Uma perguntinha: quais os tecidos alvos que o SNA atua? Já respondemos no início do nosso texto: músculo liso, cardíaco e glândulas. Observem pelo desenho da Fig.9.1 que encontramos no meio do caminho entre o SNC e o tecido alvo uma estrutura que é um gânglio que já discutimos anteriormente. Esse gânglio nervoso é formado pela junção de vários corpos celulares de neurônios e ele pertence à resposta autônoma. Lembrem que a resposta somática que estimula o músculo esquelético não apresenta esse gânglio. A resposta somática é caracterizada pela presença de uma longa fibra nervosa que se estende do SNC e chega à musculatura para estimulá-la. Então quer dizer que resposta autônoma tem gânglio fora do SNC e resposta somática não? Correto. Essa seria uma das diferenças entre os dois. Outra diferença que já trabalhamos aqui é que uma é voluntária e a outra é involuntária. Sabemos a diferença entre voluntário e involuntário? Acho que sim, mas por via das dúvidas vamos esclarecer: voluntário nós controlamos e involuntário não. Essa é a diferença básica. Ao observarmos novamente a figura 1 vemos que existem duas fibras nervosas ou neurônios. O primeiro é chamado de pré-ganglionar e o segundo de pós ganglionar. De acordo com a divisão do SNA, essas fibras terão características diferentes. Como dividimos a resposta autônoma? A dividimos em duas:a) Resposta simpáticab) Resposta parassimpáticaAbaixo demonstramos um esquema que mostra esquematicamente essas duas divisões:



Para que possamos distinguir a resposta somática da autônoma, mostramos abaixo outro esquema que mostra a ausência do gânglio fora do SNC na resposta autônoma, bem como sua longa extensão que vai estimular diretamente a musculatura esquelética.



Observem a longa fibra nervosa que se estende do SNC e atinge o músculo estriado esquelético. Não existe gânglio entre o SNC e o órgão efetor. Será que isso tem alguma aplicabilidade prática? Claro que sim. Quando comparamos a resposta somática da autônoma, observamos que a segunda é mais rápida. Por que será que isso acontece? Lembrem que teremos sinapses nesse processo e serão do tipo química, ou seja, sinapses com retardo sináptico. Na autônoma duas sinapses: uma entre o neurônio pré-ganglionar e o gânglio e a outra entre o neurônio pós-ganglionar e o órgão efetor. Na resposta somática apenas uma sinapse: entre o nervo longo e o órgão efetor. Na autônoma dois retardos sinápticos e na somática apenas um, ou seja, a resposta voluntária é mais rápida que a autônoma. Como observamos na figura 2 o SNA é dividido em simpático e parassimpático e precisamos diferenciá-los.1) Simpático: Sistema de fuga ou luta. É aquele que é ativado durante os momentos de estresse. O simpático é considerado um sistema gastador que nos prepara para as piores situações. 2) Parassimpático: É um sistema poupador. Ele guarda tudo que está em excesso no nosso corpo, pensando em um futuro. É como se ele fizesse uma“poupança” para ser gastado em um futuro breve. Existem muitas outras diferenças entre simpático e parassimpático, tais como tamanho das fibras pré e pós ganglionar, localização do gânglio fora do SNC, tipos de neurotransmissores envolvidos na sinapse, localização dos nervos e efeitos fisiológicos. Observem o desenho abaixo da organização geral do SNA:



Vamos iniciar nossa discussão pelas características estruturais do simpático que apresenta as seguintes características;a) Cadeia ganglionar próximo a coluna vertebral chamada de cadeia paravertebralb) Os nervos que irrigam os órgãos partem da região torácica e lombar (T1 a L2)c) Como existe a cadeia paravertebral, temos a fibra pré-ganglionar curta e a pós-ganglionar longa.Quando analisamos o parassimpático, podemos notar as seguintes diferenças:a) Os gânglios estão muito próximo ao órgão que é por ele inervado e muitas vezes esse gânglio está na própria parede do órgão inervado.b) Os nervos que chegam aos órgãos efetores partem da região cranial (pares III, VII, IX e principalmente o X) e sacralc) Como os gânglios estão próximos ao órgão efetor e distante da medula espinhal, a fibra pré-ganglionar é longa e a pós ganglionar é curta, o que é o oposto da inervação simpática.Vamos agora tratar a situação dos neurotransmissores e receptores envolvidos. Em uma última abordagem trataremos dos efeitos fisiológicos sobre os mais diversos órgãos. Observem outra ilustração: Nessa figura observamos as respostas simpática, parassimpática e somática que é a porção de resposta voluntária, lembram? Analisando a figura observamos que temos sempre na primeira sinapse que é aquela que acontece entre a fibra nervosa que sai da medula e atinge o gânglio será sempre mediada pela acetilcolina (Ach) quer seja ela simpática ou parassimpática. Outra característica importante é sempre a presença do receptor chamado nicotínico que é o mesmo que encontramos no músculo esquelético. Na segunda sinapse que é aquela que acontece entre a fibra pós sináptica e a célula alvo temos diferentes neurotransmissores e receptores. Na resposta simpática encontramos principalmente os neurotransmissores adrenalina e noradrenalina, daí ela ser chamada de adrenérgica, embora existam exceções em que o neurotransmissor encontrado é a Ach. A resposta parassimpática é conhecida como colinérgica para podermos diferir da adrenérgica simpática. Resumidamente:Resposta simpática: primeiro neurotransmissor Ach, segundo Adrenalina ou Noradrenalina. Ach como exceção. Resposta adrenérgica.Resposta parassimpática: primeiro e segundo neurotransmissor sempre Ach. Resposta colinérgica.EFEITOS FISIOLÓGICOS DO SIMPÁTICO E PARASSIMPÁTICOAo observarmos a fig. 9.4 acima podemos ver as principais características fisiológicas desses dois sistemas sobre o funcionamento do corpo humano. Vejam que o sistema simpático é considerado um sistema gastador. O simpático nos prepara para a fuga ou luta, matar ou morrer, é o sistema que atua durante o medo, o estresse, os estímulos incomuns os quais não estamos acostumados a enfrentar no nosso cotidiano. O sistema parassimpático visa equilibrar o estímulo devastador feito pelo simpático, buscando o equilíbrio das ações, a busca de se preparar para um futuro breve. O parassimpático é considerado um sistema poupador que visa nos preparar para os momentos de escassez. Abaixo enumeramos seus principais efeitos:Simpático: Dilatação da pupila, broncodilatação, vasoconstrição visceral e vasodilatação muscular, aumento da freqüência cardíaca (taquicardia), aumento da força de contração cardíaca, degradação do glicogênio hepático, lipólise (quebra de gorduras) e inibição das secreções do tubo digestivo.Parassimpático: Contração da pupila, broncoconstrição, diminuição da freqüência cardíaca (bradicardia), diminuição da força de contração cardíaca, síntese do glicogênio, lipogênese e estimulação das secreções digestivas.


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